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quinta-feira, 12 de abril de 2018

A SIMBOLOGIA MAÇÔNICA E A NUMISMÁTICA


Por Virgílio Sabino

Muitos especulam, mas poucos pesquisam acerca do simbolismo maçônico e de sua presença nas cédulas e moedas de alguns países. Pesquisas mais sérias e aprofundadas ficam a cargo de alguns numismatas e pesquisadores dedicados à simbologia maçônica.

Há tempos que a numismática ultrapassou o sentido de colecionismo como sendo meramente um hobby, pois praticamente já se transformou em uma atividade de pesquisa histórico-científica, com publicações específicas e de altíssimo nível e qualidade.

Podemos começar a falar da simbologia maçônica encontrada em algumas cédulas e moedas de alguns países, a partir da mais conhecida e divulgada delas, a cédula de 1 Dólar norte-maericano, que recebeu a estampa da pirâmide e o olho da Divina Providência ou Olho que Tudo Vê ou Olho de Deus, inicialmente em 1935.



Cédula de 1935 com o selo azul, primeiro ano de emissão das cédulas de 1 Dólar no Estados Unidos da América com a pirâmide e o Olho do Grande Arquiteto do Universo


Vale lembrar que, as moedas foram as primeiras a receberem a simbologia maçônica do Olho da Divina Providência, em meados do século XVIII, inicialmente cunhadas em algumas partes dos Estados Unidos da América, todavia, para fins meramente didáticos, nesta oportunidade me utilizo de uma cronologia mais recente – e não menos significativa –, a partir de 1935.


Cédula de 2009, último ano de emissão das cédulas de 1 Dólar no Estados Unidos da América


Na sequência da tradicional cédula de 1 Dólar, algumas outras cédulas e moedas trazem a simbologia maçônica da pirâmide e do olho, que ora recebem o merecido destaque nesta postagem. 

A cédula de 50 Coroas de 1994, emitida pelo Banco da Estônia, carrega na composição de sua estampa uma extraordinária gama de fatos e informações históricas. Na frente apresenta o compositor estoniano Rudolf Tobias (1873-1918) e a pirâmide com o Olho da Divina Providência sobre um órgão de tubos, que pertencia à Igreja gótica da cidade de Käina, erigida entre os séculos XV e XVI e atingida por um incêndio em 1941, cuja intensidade destruiu todo o seu interior e seus tesouros medievais, como os altares da Virgem Maria, São Nicolas e Santo Antônio, bem como o seu órgão de tubos, construído pelo pai do compositor Rudolf Tobias. 


O verso apresenta o suntuoso edifício da Ópera da cidade de Tallinn. A marca d’água traz a imagem de três leões do brasão de armas da Letônia.

No ano de 2001 a Eslováquia presenteou a numismática mundial com a cunhagem de uma maravilhosa série de três moedas comemorativas que homenageia o início do terceiro milênio. São as moedas de prata fosca de 500 Sk (Coroas Eslovacas), prata proof de 500 Sk e a riquíssima trimetálica de 5.000 Sk, cunhada em prata, ouro e platina.


As moedas trazem ao centro, no lado do valor facial, o sol composto pelo triângulo estilizado com o Olho da Divina Providência ou Olho que Tudo Vê; na íris do olho, os símbolos astrológicos dos planetas. Fora do sol, a Terra e outros planetas do sistema solar.


No verso, as mãos em tríade acompanhadas dos algarismos gregos Alfa e Ômega, que representam a criação do homem, inspirada no famoso afresco da Capela Cistina em Roma.



Um outro magnífico e clássico exemplar da numismática maçônica, por assim dizer, é a valiosa cédula de 500 Grívnia, lançada pelo Banco Nacional da Ucrânia em 2006. A nomenclatura Grívna é a forma na língua russa. Há ainda outras ortografias devido à romanização não uniforme do alfabeto cirílico para o latino, tais como Hryvnia ou Hryvnya.

A frente da cédula de 500 Uah apresenta o retrato do filósofo ucraniano e maçom Gregory Skovoroda, considerado o fundador ou precursor da maçonaria ucraniana.


O verso traz a imagem do edifício da Universidade de Kyiv Mohyla, localizada em Kiev e fundada em 1615, passando por algumas fases de reestruturações, reinaugurações e também de inatividade, ao longo de três séculos. 



Ao lado esquerdo da imagem do prédio da academia está presente o Olho da Divina Providência. Segundo alguns historiadores, a academia, fundada em 1661, mas inativa entre 1817 e 1991, foi inicialmente o centro intelectual do movimento maçônico ucraniano.



Dentre as notgelds temos o registro da estampa de um clássico pórtico maçônico, contendo todos os elementos simbólicos, prescritos e encontrados nas entradas dos templos da Sublime Ordem, esparramados pelos quatro cantos da Terra. Esta magnífica e significativa peça de 1921 registra e representa muito bem a presença da Ordem Maçônica na Alemanha antes da ascensão do nazismo.


No alto da imagem do pórtico, o Esquadro e o Compasso, logo abaixo, o triângulo com o Olho de Deus e as duas colunas maçônicas J e B.



Texto: Virgílio Sabino

Todas as cédulas e moedas das imagens são do acervo particular do autor.

Fontes:

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A "FANCY CANCEL" ("OBLITERAÇÃO ARTÍSTICA") MAÇÔNICA

Por Virgílio Sabino

A conhecida “fancy cancel”, sem tradução ideal para a língua portuguesa, mas que seria algo como “obliteração artística”, foi um tipo ou forma de cancelamento postal introduzido e utilizado no final do século XIX pelas agências do correio dos Estados Unidos da América, que incluía um design artístico feito a partir de desenhos ou símbolos esculpidos em cortiças ou até mesmo feito à mão. As cortiças, com grande variedade de desenhos, eram parcialmente imersas em tinta e então utilizadas como “carimbos” nos envelopes selados.



 

Quando os selos postais foram introduzidos nos EUA, em 1847, os correios foram obrigados a obliterá-los para evitar a reutilização, mas foi deixado a eles para decidir exatamente como fazer isso, e não com frequência os funcionários usariam tudo o que estava à mão, incluindo marcas à caneta das mais variadas formas.  

 

A “fancy cancel” foi a obliteração precursora às máquinas ou carimbos atuais. Com o passar dos anos a “fancy cancel” foi atingindo níveis de criatividade com desenhos e símbolos cada vez mais bem elaborados, que iam desde escudos, crânios, estrelas, formas geométricas, animais, plantas, etc.


Em meio a tantas imagens e símbolos não poderiam ter deixado de surgir, em um país sob forte influência maçônica, primordialmente naquela época, as “fancy cancel” com simbologia maçônica, das quais o esquadro e o compasso foram as mais comuns, incluindo os feitos à mão com caneta tinteiro à pena.


Não se sabe ao certo se essas “obliterações maçônicas” foram necessariamente propostas e elaboradas por funcionários, coordenadores ou gerentes maçons das agências de correio espalhadas pelos Estados Unidos da América. O que mais importa é que esse período, além de presentear a história postal universal com ricos desenhos e símbolos, também presenteou os filatelistas e demais colecionadores com o registro de variados símbolos que compõem a Sublime Ordem Maçônica universal. 





Fontes:

Herst & Sampson. 19th Century Fancy Cancels, 1963.

Todas as imagens são de selos da coleção particular do grande amigo filatelista e pesquisador Paulo Roberto Galvão - Rio de Janeiro - RJ 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Os rótulos mais antigos de cervejas consumidas no Brasil

Por Paulo Antunes Júnior

Os rótulos mais antigos de cervejas consumidas no Brasil, que ainda existem, são, na sua maioria, rótulos de cervejas produzidas na Alemanha e em outros países europeus, como a Dinamarca, Bélgica, etc, para consumo brasileiro. A história cervejeira do Brasil explica isso.

Entre 1637 e 1870, a cerveja produzida no Brasil e também as importadas eram quase que totalmente acondicionada em barricas, e o estilo predominante era o inglês, com alta fermentação. Era raro utilizarem garrafas, e quando engarrafadas, não tinham rótulo.

No final do século os brasileiros conheceram as cervejas vindas da Alemanha, claras, límpidas, refrescantes e com uma durabilidade maior. 

A importação de cervejas alemãs aumentou significativamente, até o ano de 1896, quando o governo quadruplicou os impostos de importação, quase que inviabilizando essa prática.
Os rótulos eram quase todos adaptados dos rótulos originais utilizados na Europa, com o acréscimo de informações dos importadores locais, o que às vezes acarretava incorreções ortográficas, bem como confusão com a nossa língua, pois sul-americanos falam espanhol, né?

Esses são alguns exemplares dessa época que tenho em minha coleção:







O professor Paulo Antunes Júnior é pesquisador e um dos maiores colecionadores de rótulos e bolachas de cerveja do Brasil. Reside em Assis/SP, de onde também colabora intensamente com a Revista da Cerveja, a maior publicação especializada no assunto.




Foto: http://revistadacerveja.com.br/paulo-antunes-junior-colecionar-e-uma-terapia/

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CERVEJA

Por Virgílio Sabino

As postagens deste blog sempre mereceram destaque pela qualidade, primordialmente das pessoas que compõem nosso cotidiano alcoolístico-filosófico. E nesta oportunidade, por que não falar da Cervejaria Prosa e de seus protagonistas? 

Ao chegarmos num determinado espaço mágico localizado na Rua Alagoas, nº 901, região central da cidade de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, seremos recepcionados e atendidos por uma equipe extraordinária, que vai desde os 
atenciosíssimos e experientes atendentes ao sócio-proprietário Hipólito Lima, que nos guiarão a um mundo à parte, de sabores ímpares. Sem esquecer que, para acompanhar a boa conversa e as centenas de brindes, os clientes e amigos também podem curtir música ao vivo de qualidade (Rock, Blues, Jazz e MPB) presenteadas por excelentes músicos locais.

Recentemente me dirigi a um dos mui prestativos atendentes perguntando pelos rótulos virgens da Cerveja Prosa e, para minha grata surpresa, pouco depois, recebi em nossa mesa a presença do próprio Hipólito Lima, que me agraciou com um pequeno maço de duplicatas dos vistosos rótulos dessa maravilhosa cerveja.

Por minha vez e para minha sorte, novamente me sinto na voluntariosa obrigação moral de repassar esse precioso prêmio ao Irmão e colecionador, Paulo Antunes Júnior, um dos maiores pesquisadores e colecionadores de rótulos e bolachas de cerveja da América Latina, residente na querida cidade de Assis - SP.

Indo ao que muito interessa, no receptivo ambiente da Prosa, poderemos escolher seis estilos de cervejas, magistralmente elaboradas, cujos rótulos e sabores nos levam a seis diferentes dimensões: 


German Weiss, "Piracema" 


Belgian Blond Ale, "Toca da Onça"


American Premium Lager, "Ipê"


American IPA, "Boiadeira" 


Irish Red Ale, "Canta galo"


Irish Stout, "Sara-cura"



Texto e imagens do próprio autor

Demais fontes:
https://www.campograndenews.com.br/lado-b/sabor/em-seis-estilos-amigos-fabricam-dentro-de-bar-uma-cerveja-que-e-a-cara-de-ms

domingo, 31 de dezembro de 2017

QUINTETO VIOLADO: A SOM E A VOZ DO PERNAMBUCO

Eis a última postagem deste 2017, e a inaugural sobre a 'arte na capa de discos' deste blog. É uma satisfação imensurável iniciar essa empreitada postando imagens da minha mais recente aquisição, o LP “A Feira”, de 1974, do inigualável Quinteto Violado, banda extraordinária oriunda do querido Pernambuco, Estado que eu considero como um dos maiores celeiros culturais do Nordeste. Este grupo iniciou suas apresentações em Recife, na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco, em meados do ano de 1970.




O som regional rebuscado e os arranjos extremamente bem elaborados logo chamaram a atenção dos Tropicalistas Gilberto Gil e Caetano Veloso. Em 1971 Gil apresentou o grupo ao produtor Roberto Santana da gravadora Phonogram. Começou aí uma trajetória de sucesso, nacional e internacional, merecidamente meteórica.





Um dos autores deste blog considera o LP “Berra Boi” (1973) e “A Feira” (1974) as obras-primas deste magnífico conjunto, que trouxe à tona a representação dos sons fundamentais da alma do povo sertanejo do pernambucano, em especial do vaqueiro, símbolo do trabalho e da luta diária em meio ao ambiente hostil da caatinga, no qual o homem sempre sai vencedor.





Fonte principal: https://pt.wikipedia.org/wiki/Quinteto_Violado 

Todas as imagens correspondem ao LP que faz parte do acervo pessoal do colecionador e pesquisador Virgílio Sabino

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

MEDALHÃO ALUSIVO AOS 300 ANOS DA GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA

Um deslumbrante medalhão de edição limitada da Isle of Man, que foi cunhado em níquel neste ano de 2017 pela Mint of Norway, especialmente para comemorar os 300 anos da Grande Loja Unida da Inglaterra. 



Ele carrega o logotipo do tricentenário no anverso e no reverso o esquadro e o compasso, sobrepostos à estrela do teto do Grande Loja em Londres. Ao redor, em círculo, possui a legenda "A maçonaria é um sistema de moralidade, velado em alegorias, englobando os princípios fundamentais para melhorar os homens" e as palavras "Fraternidade, Caridade, Integridade".



Esta é uma peça indispensável e valiosa para qualquer colecionador maçom, carregada de simbolismo, tendo como princípios a fraternidade e a honestidade, os pontos culminantes da senda maçônica, por sinal bastante ausentes e sobremaneira escassos nos dias atuais do panorama social e político do Brasil.



Tenho a grata honra e imensurável satisfação de ter adquirido mais esta peça para minha coleção, cuja edição foi limitada em 300 peças.


Fontes:
https://www.iompost.com/stamps-coins/product/the-tercentary-medallion
http://samlerhuset.com/mint-of-norway/

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A primeira Constituição do Brasil republicano

A Constituição da República dos Estados Unidos do  Brasil de 1891, foi a segunda Constituição Brasileira e a primeira no Sistema Republicano de Governo. Começou a ser elaborada em 1890, e promulgada em 24 de fevereiro de 1891.

Correios do Brasil, 1991
Selo alusivo aos 100 anos da 1ª Constituição do Brasil

Estabeleceu que a Nação Brasileira adotava como forma de Governo a República Federativa, e constituía-se por união perpétua e indissolúvel das suas antigas províncias, em Estados Unidos do Brasil (art. 1º). Cada uma das antigas províncias formara um Estado e o antigo Município neutro se transformara no Distrito Federal, que continuou a ser a capital da União (art. 2º). Optou-se pelo presidencialismo à moda norte–americana, tendo como seu primeiro presidente eleito do País Prudente de Morais.

Uma das principais características da Constituição de 1891, foi o estabelecimento do voto universal masculino, ou seja, somente os homens poderiam votar. Além das mulheres não podiam votar; menores de 21 anos, mendigos, padres, soldados e analfabetos.


Fonte:
Silva, Jose Afonso, Curso de Direito Constitucional Positivo, 35ª edição, 2012

Texto gentilmente cedido pelo amigo, colecionador e pesquisador, Paulo Roberto Galvão do Rio de Janeiro - R.J., sempre atento e sensível para as questões jurídicas e sociais do Brasil e do mundo.